• Alex Fraga

Reflexão – “Simples Assim”, por Sylvio D Prospero


Segunda-feira é dia de texto de reflexão no Blog do Alex Fraga, do poeta e escritor de Curitiba (PR), Sylvio D Prospero, intitulado “Simples Assim”.


Eu estava me sentindo estranho, com tonturas, enjoos, vontade de me saciar com gostos esquisitos, como nuvem de algodão, mar de marmelada, doce de feijoada, pastel de amendoim torrado, que ao mesmo tempo, só de lembrar, me faziam enjoar, aumentando a tontura por estar me sentindo andando num arame, esticado de uma perna à outra e totalmente abertas.

Passei levemente a mão na barriga e ali estava uma montanha, com seu cume gelado, e no seu interior, como um vulcão, fogo por dentro, algo querendo sair, como se fosse lava mole, quente, derretida querendo ser cuspida, escorrer para um lugar seguro se petrificar e continuar existindo.

Veio então a dor, profunda, em espasmos de minutos, com compassos de contrações, se transformando em ondas do mar, indo e vindo, mansas, suaves.

Então algo saiu de mim, com alivio ouvi um choro longo, soluçado, não de dor, mas ainda grudado ao meu corpo inerte, e eu sem entender aquilo tudo.

Minhas mãos trêmulas seguravam uma frauda amarela, e uma leve dor no peito como se algo quisesse escorrer, fazia-me sentir ser a via láctea, correndo e seguindo aquele destino, querendo sacia-lo da fome de viver, então senti o sugar de uma boca, o roçar de pequenos lábios no esforço de engolir, senti outro coração batendo, ouvi um gemido leve, tranquilo, seguido de um bocejo, vi um sorriso meigo, um serrar de olhos, e caindo num sono profundo.

Meu corpo relaxou, respirei profundamente, me senti sorrindo e completo;

Eu havia dado... a luz!


(Véio D'Prospero)


23 visualizações0 comentário