• Alex Fraga

Reflexão – “Outra do meu amigo Minhoca”, por Sylvio D Prospero


Segunda-feira, dia do texto de reflexão do escritor e poeta de Curitiba (PR), Sylvio D Prospero para o Blog do Alex Fraga, intitulado “Outra do meu amigo Minhoca”



Foi com meu amigo Minhoca que eu descobri um mundo mágico, quando éramos crianças.

No bairro do Caxinguí na periferia de São Paulo onde morávamos, que eu e o Minhoca, o nome verdadeiro não vem ao caso, vivíamos num mundo imaginário, descoberto e criado por ele.

Era o mundo "das mamonas", nome dado por ele, por causa dos pés de mamonas, que existiam no terreno do seu "Chico Bacatero", um velho ranzinza, que vendia abacates, e que vivia brigando com as crianças que deixavam a bola cair no seu terreno.

Foi o Minhoca quem descobriu o mundo das mamonas numa de suas andanças pelas noites do bairro, alias esta é a razão do apelido Minhoca, pois este bichinho só sai da terra á noite.

Um dia chegou cedinho em minha casa e me chamou para ir para um mundo novo, que ele havia descoberto.

Saímos desembestado para o local.

Quando chegamos fiquei preocupado e com medo, pois era dentro do terreno do seu "Chico Bacatero", mas o Minhoca tinha uma passagem secreta, que nos levou bem no meio dos pés de mamonas, sem que ninguém nos visse.

Ele me mandou sentar no chão e, de pé, começou a me mostrar o mundo novo, descoberto por ele.

O pé maior era o rei Mamomão, ao seu lado, um pé menor e redondinho, era a rainha majestade Mamona e outro pé, bem mais pequeno era a princesa, Mamoninha.

Os outros pés eram os guerreiros e o povo.

- E nós, o que somos neste reino? Perguntei ao Minhoca, e ele com aquele ar de descobridor respondeu:

- Eu sou o príncipe de um reino distante e muito rico, e vou casar com a princesa Mamoninha, e você será o meu fiel escudeiro, que matará o rei, para que eu possa ocupar o seu lugar e reinar com minha sabedoria e força, junto com minha princesa, e transformar este mundo no melhor mundo do universo.

Olhei, com orgulho e humildade para ele, me levantei e me reverenciei ao meu futuro rei Minhoca.

Até hoje eu vivo tentando matar aquele rei, para que o Minhoca ocupe seu lugar e seja o rei do mundo das mamonas.


(Véio D'Prospero)

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