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Reflexão - O galo apaixonado, por Sylvio D Prospero

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto de reflexão pelo escritor e poeta de Curitiba (PR), Sylvio D Prospero, com "O galo apaixonado".

REFLEXÃO - O GALO APAIXONADO (Véio D'Prospero)


Na chácara onde meus pais moravam na Chácara das Mansões, Campo Grande MS, dentre os porcos, coelhos, pombas, cachorros e galinhas, existiu o Japonês, um galinho branco, tipo garnizé, da raça exótica Sedosas japonesa, razão que lhe demos o nome, que possuem uma penugem no lugar das penas que parece algodão que contrasta com a crista e os pés roxos e que cantam muito bem com um som caracteristico, ele como mascote vivia solto no terreiro.

Numa chácara vizinha, o caseiro Marcos também criava galinhas, de raças maiores, Legorns, Indios e que também viviam soltas no terreiro.

Uma manhã meu pai escutou o canto do Japonês bem distante, levantou preocupado, pensando que o galinho estivesse perdido no mato, mas qual não foi seu espanto ao ver o Japonês cantando sobre um tronco ao lado do galinheiro do Marcos e, logo após o canto, uma bela franga altiva e o dobro do galinho, saiu siscando e o Japonês saiu atrás, seguindo seus passos, isto quando não ciscava na sua frente oferecendo as guloseimas da terra revirada, passando todo o dia por lá.

À tardinha o Japonês cantou no tronco e voltou para dormir na nossa chácara, no seu poleiro.

E isto se repetiu por muito tempo, de manhã ia para a chácara do vizinho, cantava sobre o tronco e passava o dia atrás da franga altiva, que passou a se chamar Bailarina pelo Marcos e meu pai, de tardinha cantava de novo no tronco, se despedindo da amada, e voltava para nossa chácara, para seu poleiro, era um amor maravilhoso, cantava para ela acordar e cantava para ela dormir.

O Marcos mudou-se e outro caseiro ocupou o seu lugar e como um algoz para o Japonês, matou a Bailarina sem se importar por aquele amor, apenas para saborear uma bela galinhada de final de semana.

O Japonês continuou cantando no tronco por varias manhãs, cantava, cantava e nada da Bailarina, então voltava para nossa chácara e ficava quietinho, siscando pelo terreiro.

À tardinha corria para o tronco e cantava, cantava dando o bôa noite para a amada desaparecida.

E isto se repetiu por alguns dias.

Uma manhã ele não cantou, estranhando e ao procurá-lo, meu pai o encontrou morto ao lado de um montinho de terra que, depois ficamos sabendo pelo algoz caseiro, ser onde os restos da bailarina haviam sido enterrados. (Véio D'Prospero)

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