• Alex Fraga

Reflexão – Diário de uma Idosa XVI, por Joana Prado Medeiros


Seguindo as reflexões no Blog do Alex Fraga da historiadora, professora universitária, poeta e escritora de Dourados (MS), Joana Prado Medeiros, nesta quarta-feira.


De tantas vidas morridas... Misturo a dor com a alegria de sentir meu corpo quente arrepiado ao som de tua voz... E ouço ao longe o grito que estou viva e os cinco sentidos felizes querem te apertar. Meus olhos estão marcados pelo inchaço do pranto enquanto meu corpo entumecido te quer... Meus braços em desalinhos te abraçam e todos os átomos, elétrons e prótons entram em sintonia...o gemido toca, vibra as cordas vivas da sinfonia regida pelo maestro magistral do corpo e o tempo se dilui e as paralelas que nunca se encontram parece achar um vácuo...A dor de existir...Quando não se pode abraçar, quando os cheiros não se pode cheirar...Quando a boca não pode beijar. A esperança na sintonia se encaixa... E a solidão das vestes jogadas no canto reclamam o suor compartilhado secam só a espera da armadura sagrada do corpo... O banho solitário lava o gozo existente fazendo lembrar quem somos...Assim, exautos de prazer caímos em um riso frouxo regado de sonhos e de promessas e tanto "dorgozo" o gozo se orgasmaia... E os dias são vestidos de ais, de palavras quentes em corpos ardentes...Que da longa espera parece até uma haste de sombrinha quebrada...Assim contamos as horas os dias os minutos e falamos com as plantas e deitamos olhares para o céu...Suspiramos a espera do encontro carnal nem profano nem divino...Sem plissados e sem doces e ramalhates só humano demasiadamente humano...


(Joana Prado Medeiros - 18/03/2021) É Pandemia. Ver menos


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