• Alex Fraga

Reflexão - Diário de uma Idosa 60, por Joana Prado Medeiros

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de reflexão da historiadora, professora universitária, poeta e escritora de Dourados (MS), Joana Prado Medeiros, com DIário de uma Idosa 60.


Escrever de forma simples e ao mesmo tempo poética o que dói na alma requer um talento que confesso não tenho. Corria o ano de 1989 eu tinha 32 anos e fui emocionada trêmula para fila dos eleitores para votar pela primeira vez para um candidato da República...carregava em mim todas as lutas e todos os medos que vivi lutando contra a ditadura do país...Ainda brilhava na bolsa meio hippie o boton das diretas já...No peito brilhava uma estrela vermelha e a esperança...Tremendo e acreditando nas pautas por reforma agrária, demarcação indígena e todas as bandeiras por políticas públicas e sociais meu peito franzino ardia...Confesso que chorei...olhando o povo maltrapilho empilhando um dinheirinho do voto vendido...Sonhava poder desenhar a foice e o martelo sem medo do SNI...Enquanto certo candidato pintou de verde e amarelo seu dois LL, flamulava fitinhas dessa cor como se aqueles que não a abraçasse fosse os condenados os excluídos da nação. Por essa época a inflação segundo dados era de 233, 5% ao ano se dúvidas? Pesquise. Entre tantas agendas o analfabetismo no país era vergonhoso...Que pós muita luta e na CF/88 podiam votar. Contudo já baixava em meu ideário a compreensão da "sacralização da política" ( Alcir Lenharo) que transitava e ainda transita nas mentes menos avisadas que interioza que todos os políticos são iguais e sob o jargão rouba, mas faz! que no passado próximo foi absorvido e agora sob a investidura sacramentalizada de que o governo não é corrupto a direita passa pano e cai nas pregas de um guarda chuva sem sol e chuva e sem praia. E neste mecanismo perverso caminha dentro de um fosso de imobilidade e gritos insanos sem perceber que os escravos de ontem são os pobres de hoje, ainda comprados por espelhinhos ( sem ver suas faces) de novos velhos colonizadores e conquistadores. São também apadrinhados por uma parcela da classe média amorfa e hipócrita. A saia rodada que uso hoje já não é tão rodada e não danço mais conforme a música, sem paciência para deitar explicações hoje olho que a pauta se faz fria...Estirada numa baqueta imóvel...Resta o laudo...que ateste sua morte...Tudo está em falência os direitos conquistados a grade curricular da áreas de humanas a Ciência e ciência política respira mecanicamente...A democracia invertida como se vestida de demo jas...Na vala comum...demonizada pasteurizada...Moribunda agoniza...


( Joana Prado Medeiros 09/09/2021) É Pandemia.

— sentindo-se preocupada.


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