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Reflexão - Diário de uma Idosa 282, por Joana Prado Medeiros

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 10 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto de reflexão com a historiadora, escritora, professora universitária e poeta de Dourados (MS), Joana Prado Medeiros, com seu Diário de uma Idosa 282.


TRATADO FALSO SOBRE TRISTEZA...


De todos os sentimentos o que eu mais gosto é a tristeza. A tristeza é mais triste quando nos sentimos tristes por causa dos filhos, aí ela é dupla, vem com um desalento vestido de impotência uma vez que quase nada podemos fazer por se tratar da vida de outra pessoa, nos sentimos tristes por nós e por eles. Essa dói intensamente. A tristeza da saudade é morna e nos acompanha em cada olhar e cada sorriso de boca caída, contudo, esta aguça os sentidos e o olhar reverbera poesias, a alma treme em uma folha na enxurrada das lembranças e faz mil acrobacias até encontrar um iceberg de lágrimas, treme e treme e desmancha. Por fim o sentimento que mais amo é a tristeza. Para mim ela é linda, me faz escrever, me faz pensar, me faz sonhar, me faz produtiva. E também quando penso no alvorecer do dia cobrindo os montes com o sol silencioso crescendo, com os pássaros cantando e a vida acontecendo. Um silêncio tão lindo e triste pairando sob a terra! Da mesma medida o entardecer cobrindo de escuro os vales e um silêncio invadido as casas, o luar começando e os humanos tateando cheganças para depois repousar. A noite cobrindo os véus e os aconteceres de bom ou ruim se acham no direito de acontecer. A tristeza acompanha o que é belo e eu choro quando ouço uma linda canção, quando olho um quadro magnífico, quando vejo roupas nos varais e quando ouço um bebê de um aninho balbuciando as primeiras palavras e os primeiros passos. A tristeza A minha tristeza ganha o 0scar quando leio poesias, neste tapete eu dedilho as sílabas com as mãos e sinceramente é uma perfeita oração. E nada é mais triste e lindo dos que mãos senis desfiando o rosário da gratidão e a espera de voltar pra casa. Gosto mesmo é de ser triste, de fazer chiste, de elaborar piadas e fazer algazarra do ruim, do male feito, das torneiras quebradas, e das dificuldades diárias...Gosto mesmo é da vida bonita, triste, feliz, da vida que se alimenta da morte. E da morte que viva está e viva vivi. Um cachorro me feriu. E cá estou!


( Joana Prado Medeiros - 09/09/2025 - Direitos Autorais Lei 9.610/98)

 
 
 

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