Reflexão - Diário de uma Idosa 265, por Joana Prado Medeiros
- Alex Fraga

- 16 de abr. de 2025
- 2 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto de reflexão com a historiadora, professora universitária, poeta e escritora de Dourados (MS), Joana Prado Medeiros, com seu Diário de uma Idosa 265.
A PRIMEIRA VEZ QUE FUI TRAÍDA..
Verão de 1976, era uma segunda feira à noite, eu estava cansada de um domingo de espera, por quatro longas horas te esperei no lugar combinado e nada. Fui para casa abatida e comovida e vesti meu pequenino radinho e ouvi canções até adormecer. Então na Segunda Feira acordo e trabalho o dia todo, no início da noite sigo para a faculdade e assim, antes do galo cantar três vezes, minha melhor amiga chega dispara a notícia - Onde você estava domingo a tarde? Eu vi seu Italianin na represa, acompanhado de uma moça e outras pessoas. Ele estava lá todo faceiro e namorando. Fiquei muda, nada disse. Nem procurei saber detalhes. No meu íntimo acreditava que cada um tinha o direto de fazer o que queria, me calei. Segui te encontrando e nunca mencionei o ocorrido. Nem mesmo questionei o bolo que levei. Não sei se por falta de auto estima ou por estima demais eu só me importava com o tempo vivido. Sentia o meu pequenino mundo completo. Para mim era mais importante amar que ser amada. E continua sendo. Naqueles ditosos dias, meses e anos eu seguia e ainda sigo sem o cerceamento, sem as cobranças. Recebia o que tinha que receber, sem valorar, sem metrificar. Entendia que cada um é o que é e dá de sim o que deseja dar. Eu era tão pequena ou talvez tão grande que no alto dos meus vinte aninhos fui amante, namorada e amiga, aberta para viver sem julgar e sem esperar...Essa foi a minha primeira experiência com a famada traição. E sinceramente, hoje, quando ponho reparo nestes acontecer, percebo, que sempre fui desprendida dos ditames, do invólucro que conduz as relações romanescas. Essa baliza, foi muito bem cedimentada e agora vejo claramente o quanto fui livre e sou livre, tenho uma longa história amorosa, romanesca, absolutamente a esgueira da grande maioria. De banda, de viés vivi e vivo até agora. Hoje compreendo porque fui e sou tão incompreendida por um tanto, quanto de viventes. Risos me chegam, eu e o Italianin tivemos uma linda história, bem cumprida tão cumprida que nunca acabou.
( Joana Prado Medeiros - 14/04/2025 - Direitos Autorais Lei 9.610/98)





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