• Alex Fraga

Reflexão – Diário de uma Idosa 26, por Joana Prado Medeiros


Quarta-feira, dia de texto de reflexão da historiadora, professora universitária, poeta e escritora de Dourados (MS), Joana Prado de Medeiros, com seu Diário de uma Idosa 26.


Estou cansada de ser gente, gostaria mesmo era de ser uma gramínea incrustada em algum arbusto, pé de árvore ou muro... Assim ficar quietinha respirando chuva, vento, calor e sol e frio... Ficar balançando as formigas, as abelhas, ficar de camarote vendo o namoro dos pássaros ouvindo o som de suas juras secretas em algum galho. Queria ouvir o choro das folhas ao despedir da folha que cai... Cansei de ser gente e também não quero ser bicho que tem coração esse de sangue... Tenho vontade de ser alga sei lá qualquer coisa que tenha um tipo de coração que não conheço. Pode ser uma teia de aranha que tece, entretece o vento bate e não destrói. Estou em um estado de enjoamento de ser bípede, ter um cérebro pensante e um polegar opositor... Cansada de carregar as batidas binárias do tal "isto ou aquilo" Entre isto ou aquilo permeia o "existe" para muitos, invisível. Almoço e janto a luta de classes a consciência me aponta que a fome e o ato de comer é político. As correntes dos alienados vomitam cédulas e agora me causa náuseas. Cansei de respirar o ar que me custa tão caro. Cansei do tal "ocupa" seu espaço, ora, eu sou pensante e não ocupo espaço, não sou gado... Eu "crio espaço" e este criar reverbera em múltiplas situações a goteira que cai de um alpendre "criado" socioculturalmente e todas as "mentes" modificam o local, vivente! Tenho saudades de um lugar (que não fui) onde exista conexão... Estou falando para as aranhas que tece e não sabe porquê...Ou será que sabe? Que diferença existe entre elas e o tal ser humano? Estou fula, estou ferida de morte estou com vergonha do ser "do tal do ser humano". As favas a beleza do arco íris, o brilho das estrelas àqueles que em plena pandemia coloca os seus entes amados em riscos. Vá para o diabo que te carregue este que ergue espada em nome da fé que chora e faz cultos de todos os tipos. Baba um no outro agindo como se nada tivesse acontecendo. Infelizmente sou tua parte que no todo não se reparte... Eu sou da tua espécie SER HUMANO (DES)GRAÇADO...O meu grito não te alcança. Se esse mundo é teu eu sou pária...Sou desertora... Não visto tua mortalha, tua pele felizmente me é estranha.


(Joana Prado Medeiros - 21/04/2021) É Pandemia.




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