• Alex Fraga

Reflexão – Diário de uma Idosa 24, por Joana Prado Medeiros


A historiadora, professora universitária, poeta e escritora de Dourados (MS), Joana Prado Medeiros publica mais uma de suas reflexões no Blog do Alex Fraga.


***(Número 24 chega de numeração romana não sei mais kkkk)...


Eu confesso... Era uma noite qualquer de dia qualquer ela de vermelho mais parecia uma patinha mandarim de vestes vermelhas e enfeites nos pés...Em um barzinho não qualquer barzinho a beber cerveja em companhia de sua amiga que parecia um cisne cinza a sobrar cinzas e a sorrir...O vento levava a prosa e os cabelos e ouvíamos " Papel Mache". Quando do nada trouxe um par de olhos claros emoldurado por um sorriso grande e quente feito o continente Africano. A mesa ao lado ganhou pernas e dançava diante das falas das duas morenas. Lanterna de olhares se cruzam e a pergunta acontece - Quem ele está a mirar? Façamos um teste! Eu vou ao banheiro e você observa, assim fizemos e pós-cuidadosa espionagem fica constatado ele olha o patinho de vermelho. E nada é mais gostoso que um flerte quente e dissimulado... O leque da noite se abre, hora de ir embora, hora de pagar a conta e essa vem premiada o tal moço de olhos claros de trópicos quentes deixa um bilhetinho com seu nome e telefone. O vestido vermelho fica rubro e balança sob o coração a tremer... Apaixona-se pelo nome, depois por seu jeito de 1:86 ou mais, que mais parece um barco a balançar. Ela liga e a voz lhe toma feito três taças de vinho de um só gole. Guardados os números de celulares ele se vai dizendo: Eu volto. O tempo relincha na invernada e do nada... Quando a tarde era "mais tarde" ele volta e a noite... Ah! Essas eram tão comuns que de comum essa vestiu roupas de réveillon... Ele balançando ela tremendo se encontram e o tecido de seda ao chão dá lugar a seda das peles. Sussurros, gemidos e suados sonhos se abraçam... Se amam feito dois seres mitológicos que subiram ou fugiram do Olimpo...Simples como pentear os cabelos eles se despedem, ela arde em febre e o calor dessa febre a mantém viva. Com tudo o que é despeito do que os uni... Seguiram suas vidas, cada qual com seu cada qual, nunca indagaram nunca esperaram e sem promessas seguiram. E quando do por do sol o tempo chegava ele aparecia e nas noites surpresas de novo o tango do amor acontecia. Uma vez ele se anunciou quase de madrugada e desceu da asa de um avião ela o esperou em um aeroporto e ele entrou em seu vestido e dançaram a música deles “Tô all the girls I've loved before"...Na rodovia às cinco da manhã sob o sol nascendo nas folhas dos eucaliptos de tão mágico ela novamente perdia o fôlego. A banda da vida tocou ela viveu se casou depois descasou ele descasou e namorou e namora...Ela o nomeou de Italianin II e ele sabe, ela o reverência e ele sabe, vivem longe e de tão longe vivem perto, descobriram a pouco que durante esses 15 anos acompanham a vida um do um do outro...Falam raramente...Sem obrigações e ais. No tal "quadro dos encontros" não consta dez entre amores. No penúltimo encontro tomaram gole a gole a consciência que mesmo sem perguntar sem esperar sem promessas sabem um do outro... Juntos, choraram a dor de saudades de suas mãezinhas...São almas que cantam a mesma música. E com a pandemia prometem viver! Oxalá se encontrar pós-vacina rezando o credo do "se cuida" . Talvez, quem sabe e sempre tanto ou entanto ou contudo do tudo ela que agora confessa aos caros leitores: " ela, sou eu" !!! Que rebrilhe as fibras do meu coração pequenino e livre tão livre e profano eu possa dizer que é santo o que por ele sinto. Talvez com a morte a espreita eu admita: Que linda história de amor! Amor não é lindo nem isso ou aquilo ... Amor é.

(Joana Prado Medeiros - 16/04/2021 - data especial é aniversário da minha filha...) É pandemia

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