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Reflexão - Diário de uma Idosa 146, por Joana Prado Medeiros

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia da professora universitária, historiadora, poeta e escritora de Dourados (MS), Joana Prado Medeiros. com seu Diário de uma Idosa 146.

DIÁRIO DE UMA IDOSA 146


Todos anos eu assistia com minha mãezinha o seu querido Roberto Carlos. Ficávamos no sofá de mãos dadas e você repetia ele o cara de um milhão de amigos ( a sua música preferida) você brilhava e sonhava a vida, dizia agora sim é Natal!!! ...Eu ria e achava lindo você ter um ídolo... Você que só gostava mesmo do Roberto Carlos e ninguém mais... Você que só trabalhava e esqueceu de si mesmo, você que só conhecia música do seu Robertao... Você séria que raramente dizia uma bobagem, nessa noite se transformava, até bebia uma taça de vinho. Tem 07 anos que não aguento assistir. Gostando dele ou não eu o respeito pois revejo você mãe menina de cabelos branquinhos trêmula com o Parkinson te consumindo...E seus olhinhos brilhando...E as vezes ainda dizia seu pai gostava dessa música...Era a noite do devaneio, das ilusões de moça você se permitia ser mulher se deixava e recordava de quando conheceu meu pai...De quando dançou com ele, de quando meu pai te fez desistir da dança ( que triste) do acordo que vocês fizeram e você cumpriu o pai nem tanto. Eu aproveitava e falava dos meus amores e desilusões...Meu Passarinho Amarelo assistindo juntas o show do ano que nos unia na valsa doce do amor... Éramos enfim, duas mulheres apaixonadas...Sentia um pertencer, sentia união. Eu ficava tão feliz que não sentia falta de nenhum outro programa essa noite ERA a nossa noite!!! E que bom que eu reservei tempo para esse programa nosso durante muitos muitos anos. O último show que assistimos você assistiu deitadinha em sua cama já bem pouquinha estava indo embora e eu tentava te animar falava olha Mãe olha Mãe... Mãe minha mãe como era bom compartilharmos esse raro momento de mulher para mulher... Mãe como é grande o meu amor por você...E voltei e volto e voltarei mãe porque aqui é nosso lugar...Aqui na lágrima que cai desce na boca apertada de saudades... Ainda estou naquela sala naquele sofá e trago as mãos cheias de você Mãe minha mãe...


( Joana Prado Medeiros - Direitos Autorais Lei 9.610, 19/02/98)


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