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Reflexão - Diário de uma Idosa 102, por Joana Prado Medeiros

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 2 de mar. de 2022
  • 1 min de leitura

Quarta-feira, no espaço de reflexão do Blog do Alex Fraga, o texto reflexivo da historiadora, professora universitária, poeta e escritora de Dourados (MS), Joana Prado Medeiros, com seu Diário de uma Idosa 102.

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DIÁRIO DE UMA IDOSA 102


Não me enxerguei no fundo do varal. Cruzei ruas, pés desnudos, empoeirados, braços à arder. Olhos ao chão catei folhas secas pra enfeitar o meu colchão. Também trilhei frio e garoas braços tesos e marmita nas mãos. Engoli com leite em pó ralo a bolacha e o choro. Não vi as estações do ano e nem a passagem para o ano seguinte. Nestes tempos, foram sonhos, medos e solidão estendidos... Não me achei no fundo deste varal. E hoje quando me sinto me vejo sobra deste vulcão. Tenho as mãos calejadas, calcanhar duro, testa marcada e o olhar corajoso...E só na esquina da costela esquerda que encosta no pulmão e o coração bem ali escondida ainda brilha a lágrima que carrego da falta do abraço que não tive dos inúmeros amigos que me deixaram só no pior período de minha vida... Não me vejo mas recuperei os quilos que perdi. Coragem nunca me faltou...E não divido meu riso nem meu choro com qualquer um. A lição aprendi.


( Joana Prado Medeiros - 08/02/2022) É Pandemia. Ver menos

— sentindo-se determinada.

 
 
 

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