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Reflexão - "Amém...Doim", por Sylvio D Prospero

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto de reflexão do escritor e poeta de Curitiba (PR), Sylvio D Prospero, com Amém...Doim



REFLEXÃO - AMÉM... DOIM


Ao olhar minha foto da primeira comunhão, (eu sou o terceiro, da esquerda para a direita, tentando se esconder atrás da vela), minha recordação me transportou para as aulas de catecismo com o padre Guido, na minha infância, na igreja de Santo Antonio do Caxingui, no meu saudoso bairro do Caxingui em São Paulo. Lembrei dos meus amigos, das minhas amigas, da música "criança feliz... feliz à cantar... alegre embalar... meu sonho infantil... oh meu bom Jesus... que à todos conduz... olhai as crianças do nosso Brasil" que era tocada a todo volume, todas as tardes nos auto falantes da igreja, e reunindo a criançada para a aula de catecismo, dada pelo padre Guido E uma passagem muito marcante na minha vida de criança então se descortinou na minha memória, e lá estava eu, sentado no banco da igreja. Naquele dia, o Carlinhos e o Minhoca combinaram que toda vez que o padre Guido falasse "Amém", um de nós, escolhidos na sequência, diria "Doim", eu era o quinto na fila. E lá se foi passando a aula de catecismo. E toda vez que o padre Guido dizia amém, alguém dizia doim, e o padre Guido ficava procurando de onde tinha vindo aquela erezia, não encontrava e continuava a aula. Chegou a minha vez, na oração do Pai Nosso no final da aula, assim que o Padre Guido falou - cair em tentação, amém, eu... Do... Do... Doim.. Todos riram, e lógicamente o padre Guido soube quem era. Encerrada a aula, o Padre Guido me chamou para uma conversa na sacristia, e eu imaginando o sermão, o seguí cabisbaixo... Sentamos numa cadeira, um em frente ao outro. Padre Guido, com sua fala mansa, com seu sotaque italiano, me olhou bem no fundo dos olhos, passou a māo na minha cabeça e calmamente me falou: - Eu te perdoô, pois admiro sua coragem em seguir seus amigos, mesmo sabendo que poderia ser descorberto, e veja como Deus faz a coisa certa, me diga o Pai nosso, bem devagarinho... Cabisbaixo, fiz a oração, devagarinho e quase sem gaguejar, ao chegar em - perdoar as nossas ofensas, assim como nós perdoamos à quem nos tem ofendido - ele me pediu para parar, e com aquela voz mansa continuou: - Deus te perdoa, e você vai me perdoar, por te fazer rezar este Pai nosso cinquenta vezes, sem o doim, continue... Rezei os cinquenta pai nosso, em companhia do padre Guido, e quando terminamos, ele me convidou para comer amendoim torrado do seu Walter, na frente da igreja!!! Fiquei olhando para aquela foto, agora acordado da recordação, e sorrindo pedi: - Sua benção Padre Guido, de onde estiver, com muitos Amém... doins!!

(Veio D'Prospero)

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