• Alex Fraga

Reflexão - A madrugada veio me visitar, por Sylvio D` Prospero



Sylvio D` Prospero

Difícil viver sem a madrugada, sem o sereno, sem as luzes amarelas, e sem a vida noturna;

Uma mesa de um bar, a toalha quadriculada em preto e branco, a cadeira surrada, um copo cheio de sentimentos, suor e beijos perdidos nas bordas e com sabor do velho Jack, com jeito de carinho.

As figuras noturnas, com suas mazelas da vida, circulam sorrindo, alegres por fora sentimentos por dentro, mas sempre querendo viver, viver e viver!!

Vejo a dama da noite, poderosa, marcando compassos sem ritmo, apenas cumprindo seu papel de madame, cortejando parceiros, clientes, amantes, que seguirão suas vidas quando o dia clarear.

A música serena lembra alegria, dor, tristeza, saudade, realização, tédio, vontade de dançar sem se levantar da cadeira, apenas sorvendo o liquido suave do copo parceiro, muitas vezes colhendo uma lágrima que cai.

Hoje, o relógio com seu tic tac marca meia noite e cinco minutos, sentado na mesa de casa, sem toalha quadriculada, acariciando o copo pela metade, fazendo tim tim com a garrafa do Velho Jack, a música, pianissima na voz de Paulinho da Viola, a luz difusa de um abajur lilás no canto da sala, o cheiro da dama da noite, aquela flor, entrando pela janela, trás junto com ela o sereno da madrugada lá de fora, para me fazer companhia.


(Véio D'Prospero)


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