Reflexão - A folha, por Sylvio D Prospero
- Alex Fraga

- 9 de dez. de 2024
- 2 min de leitura
Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de texto de reflexão com o escritor e poeta de Curitiba (PR), Sylvio D Prospero, com "A folha".

A FOLHA
Havia chovido, o chão e a relva estavam molhados... eu caminhava devagar... preocupado para não escorregar, levando meu corpo cansado pelos anos de vida vividos, quando uma folha me chamou a atenção, ela parecia rir para mim, ali caída na grama, toda molhada mas impermeável, como se a água não lhe penetrasse…
Me ative então à pegá-la, dando-lhe uma pequena sacudidela, para que a água terminasse de escorrer…
Estava seca... seca da água da chuva... seca pelo tempo, e prestes à se deteriorar na natureza, tendo passado todo o seu tempo presa numa árvore, toda verdinha e faceira a balançar, fazendo alegria e sombra na terra em dias de sol, e até brilhando numa noite de luar…
Olhei-a com carinho, e me vi dentro dela, olhando meu passado, feliz, mas não querendo voltar, apenas recordando meu tempo vivido, balançando na vida… pra lá… e pra cá…
Seu corpo seco e impermeável se incorporou no meu, me fazendo acreditar que de agora em diante nenhuma água vai me encharcar, apenas baterá em mim e escorregará, indo molhar outro corpo, ou outra coisa qualquer pois, como ela, me tornei impermeável... apenas ainda não morrí…
Me chacoalhei num arrepio, depositei a folha seca e impermeável na grama molhada, para que ela se decomponha e faça de seu corpo o adubo para outras folhas nascerem, enquanto eu continuarei caminhando, impermeável, seguindo minha vida até o dia que virarei pó ou cinzas, me depositarão numa terra e, não me tornando adubo, apenas descansarei…
(Véio D'Prospero)





Seria impermeável a folha ou estava a serviço da vida?