Poesia - Tulipas venenosas, por Marcos Coelho


Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Marcos Coelho, com "Tulipas venenosas"
Tulipas venenosas...
Marcos Coelho
Venenos são caos dentro da alma...
Voam garças e libélulas em águas correntes...
Lobas buscam covis para parirem...
O olhar doente só vê sangue e dor...
Mas a vida segue avante...
Surgem flores e rosas viçosas no campo...
Cogumelos suculentos entre os campos úmidos...
O vilarejo não entende o perigo...
Os habitantes vivem indolentes aos fatos...
A simplória e a inocência vivem o matrimônio ali...
A beleza esconde o tóxico...
O conviver dolente e suave...
Não permite pensamentos avançados...
Uma filosofia real e menos utópica...
E a cobiça e a vilania se espalham com força...
Sangue envenenado...
Em vários lugares há pessoas alvos desse desafeto...
Astutos armam tocaias...
O campo é perigoso...
As tulipas surgem após inverno rigoroso...
O sonho era muito amoroso...
Porém, a realidade é amara...
Açúcar amargo...
A ambição perdeu totalmente o freio...
Às vezes, só o túmulo pode silenciar uma alma...
Outras vezes, nem o outro mundo detêm a alma...
Pétalas se espalham pelo chão da sala...
O olhar e a dor estão dentro d’alma...
A expertise de quem já se decepcionou muitas vezes...
Proibido desistir de si mesmo...
Tudo o mais é a ilusão...
Ilusão do que se pensou...
Ilusão de ser amada, possuída, deseja...
Ilusão de um casamento ousado e idealizado...
Idealizado, sim, mas carregado de utopias...
Vida ideal é aquela da realidade...
Ancorada na realidade do início ao fim...
Quem sois???
Há perguntas no ar...
As tulipas renascem, mesmo na toxidade do ambiente...
Agora, se sabe, também a toxidade de pessoas...
O poeta sente, balança-se na imaginação...
Responde em primeira pessoa à paixão...
Escreve, conta, rima, decepciona, versa...
A poesia nasce com força, com amor e verdade...
Despretensiosa, sem vaidade, apenas com amor.





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