Poesia - Tereré e Cimento, por Paulo Portuga
- Alex Fraga

- há 4 dias
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Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, poeta, escritor e músico de Dourados (MS), Paulo Portuga, com "Tererá e Cimento".
TERERÉ E CIMENTO
Acordou cedo para trabalhar
Café com pão amanhecido
Roupa suja, botina rasgada
Pedala a bicicleta sem freios
No acostamento da pista.
Chegou no clarear do dia
Pá e carrinho de mão
Areia-grossa, pedra e cimento
Arma o ferro, assenta o tijolo
Para, senta e descansa.
Erva-mate, bomba e guampa
Água gelada por cima
Sorve o tempo num ritual
Metaboliza a ideia
De melhorar de vida.
Digere o líquido subversivo
O tereré impõe a pausa
No trabalho exaustivo
É servente de pedreiro
Faltou oportunidade de estudo.
O sol estava muito quente
De torrar mamonas
Respira fundo, levanta
O suor escorre a rodo
Riscando o rosto poeirento.
Pensativo questionou
Aguentaria a empreitada?
Na construção se viu
Queria mesmo ser ponteiro
Abrir caminho para comitiva.
Suga o líquido coletivo
Não é único neste vínculo
Ronca o fundo da cuia
Agradeceu a rodada
Voltou para a árdua labuta.
Ergueu muros e paredes
Casas que jamais moraria
Cimentando desigualdades
Para começar outra vez
No raiar do novo dia.
Paulo Portuga, 29/05/2026.





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