Poesia - Salário (mínimo), por Carlos Magno Amarilha
- Alex Fraga

- 3 de abr.
- 1 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Carlos Magno Amarilha, com "Salário (mínimo).
SALÁRIO (mínimo)
Fica feio em poesia
Tira a estética
Depravante
Degradante
Horrível
Ridículo
Desprezível
POBRE
Não cabe no poema
Fome
Miséria
Discriminação
Sem-teto
ou terra
Menores
abandonados
Desempregados
Funcionários
Desprezados
Coitados
Humilhados
Desgraçados.
Só cabe no poema
P o d e r!
Glória!
Dinheiro!
Exploração!
Do Vencedor!
Deixando o poema
100 flor
Com
Puta
Dor
In: Poemático Demais.





❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾
Espetacular esse poema com muita energia e expressão de deixar o leitor envolvido com o tema. Muito sensível poeta.
Demetrio Alencar
Dourados - MS
O poeta nos conduz por uma estética do desconforto, onde o título já entrega a ironia trágica, como pode algo ser chamado de 'salário' quando ele é, por definição, 'mínimo', ou melhor, insuficiente? O poeta utiliza a forma concreta para mostrar que a pobreza não tem lugar na poesia de elite, pois ela é, nas palavras do poeta, depravante, degradante e ridícula aos olhos de quem só quer ver o belo. Ao listar os 'desprezados', os 'coitados' e os 'humilhados' a estrutura do texto vai se estreitando, como se o cerco da vida estivesse se fechando sobre o trabalhador que sobrevive de itens de segunda categoria e restos de dignidade.
É um texto que sangra em meio à frieza do…
É impossível olhar para essa estrutura e não ver o peso da desigualdade moendo a dignidade humana.
Eurico Shomitte
Americana - SP
Uma baita dor
Com-puta-dor
Muito criativo, sensível, poema concreto.
Silvio Amorim
Florianópolis