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Poesia - Rio Paraguai, berço de guerra e de paz - parte XIII, por Athayde Nery

Foto do escritor: Alex Fraga
Alex Fraga
23 de jul.
1 min de leitura

Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Athayde Nery, com Rio Paraguai, berço de guerra e de paz - parte XIII.

XIII


“Eeeeh seres humanos!

Só sei, que nada sei!

Quanto do meu ventre antes de vida apenas, não carregou gritos de horror?

Quanto das minhas beiradas não se tornaram covas rasas

Em que os abraços eram dos chumbos e dos ferros em brasa.

Quantos corpos não foram alimentos dos jacarés e piranhas

Pólvora e carniça era o aroma das manhãs

Urubus festejando no céu com os Carcarás

E nesse inferno de Dante, mulheres que não eram para maçãs

Se vestiam de coragem e resiliência mostrando o que é resistência

Saiam do encantamento sem medo do sangramento

Se debruçaram nas atividades mais cruéis, de salvamento e enfrentamento

Enterravam os filhos e maridos, carregavam os soluços e os gritos

Sofriam nas batalhas e renasciam nas horas de armistício

Ana Nery, a enfermeira, mãe e salvadora de vidas sem medo das feridas

Madame Lynch se firmou como heroína e fibra de mil homens

E tantas anônimas, cozinheiras, lavadeiras, costureiras, arrumadeiras,

chinas gaúchas,

Era fato que o exército não marcharia sem a presença das mulheres na trilha

Essas mulheres de guerra, mortas em armas, enviuvadas, sem filhos e sem futuro

Caminhando no escuro foram tateando a esperança para construir um novo país

Lavando a própria alma com seus prantos

E com água de sangue esfregando os panos de saudade e dor

Mulheres que levantaram o Paraguai e o Brasil por puro amor!

Afirmo entristecido que a história ainda não registrou o seu inestimável valor! ”

 
 
 

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