Poesia - Rio Paraguai, berço de guerra e de paz - parte XIII, por Athayde Nery


Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Athayde Nery, com Rio Paraguai, berço de guerra e de paz - parte XIII.
XIII
“Eeeeh seres humanos!
Só sei, que nada sei!
Quanto do meu ventre antes de vida apenas, não carregou gritos de horror?
Quanto das minhas beiradas não se tornaram covas rasas
Em que os abraços eram dos chumbos e dos ferros em brasa.
Quantos corpos não foram alimentos dos jacarés e piranhas
Pólvora e carniça era o aroma das manhãs
Urubus festejando no céu com os Carcarás
E nesse inferno de Dante, mulheres que não eram para maçãs
Se vestiam de coragem e resiliência mostrando o que é resistência
Saiam do encantamento sem medo do sangramento
Se debruçaram nas atividades mais cruéis, de salvamento e enfrentamento
Enterravam os filhos e maridos, carregavam os soluços e os gritos
Sofriam nas batalhas e renasciam nas horas de armistício
Ana Nery, a enfermeira, mãe e salvadora de vidas sem medo das feridas
Madame Lynch se firmou como heroína e fibra de mil homens
E tantas anônimas, cozinheiras, lavadeiras, costureiras, arrumadeiras,
chinas gaúchas,
Era fato que o exército não marcharia sem a presença das mulheres na trilha
Essas mulheres de guerra, mortas em armas, enviuvadas, sem filhos e sem futuro
Caminhando no escuro foram tateando a esperança para construir um novo país
Lavando a própria alma com seus prantos
E com água de sangue esfregando os panos de saudade e dor
Mulheres que levantaram o Paraguai e o Brasil por puro amor!
Afirmo entristecido que a história ainda não registrou o seu inestimável valor! ”





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