Poesia - Rio Paraguai, berço de guerra e de paz - parte XI, por Athayde Nery
- Alex Fraga

- 9 de jul.
- 1 min de leitura
Atualizado: 22 de jul.

Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Athayde Nery, com Rio Paraguai, berço de guerra e de paz - parte XI.
XI
“Eeeh seres humanos!
Me sinto como um rio mítico saindo das cavernas para lhes afirmar
Quanta intolerância não carregas no olhar!
Naquele tempo, muitos navios só equipados de puro furor
Meninos querendo ser heróis, soldados e marinheiros ainda em flor.
Houve tanto sangramento que até virou minha cor
Batalha do Riachuelo explodindo bem ali no meu irmão Paraná
Misturando nossas almas na cidade de Corrientes
Comodoro Meza, Almirante Barroso
Era então 11 de junho de 1865, lá pelas nove horas, o sol já queimava meu corpo
Navios, Chatas e Corvetas se aproximando,
Canhões se mirando em namoro de fogo a ser trocado
Cordas, Comandos e tiros, Fragatas se lançando
Manobras, Bateria Congreve, Canhoneiras desfilando
Soldados em terra, marinheiros a postos!
Fragata a vapor Amazonas, Corveta Tacuari, Corveta Parnaíba, Corveta Paraguai
Ainda ouço o eco dos comandos dos dois lados:
“”Despertar o fogo das máquinas! ””
“”Suspender as amarras! ””
“”Soltar a primeira carga!””
“”Abrir fogo!””
Canhoneira Araguari, Vapor Ygrei
“”Olha a proa, bombordo e estibordo!””
Canhoneira Iguatemi, Vapor Yporá
“”Preparar para abordagem! ””
“”Tocar a máquina a toda força!””
Vapor Pira Berê, Canhoneira Ipiranga
“”Olha a popa!””
“”Incendiar o paiol!””
“”Abandonar navio!””
Em meio a gritos, fumaças e fogos, corpos se lançando sobre mim
O céu ficou escuro que até o mar, lá longe, ficou em silêncio
Foi uma cruenta batalha, centenas de existências espalhadas
Ainda acordo sobressaltado com alguns estrondos ao meu lado





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