Poesia - Rio Dourados, por Carlos Magno Amarilha
- Alex Fraga

- 27 de mar.
- 1 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Carlos Magno Amarilha, com "Rio Dourados".
RIO DOURADOS
O rio desce na curva em dia chuvoso
Navegam poderosos peixes corajosos
Guiam nos umbrais à mercê de rolos
Despejam córregos pedreiras estorvos
Bate asas na mata de delírio
Entre a lua balouça e as nuvens de lírios
Atento a nova ordem da alvorada
Mais um belo dia com a amada
Um calor de rachar árvores
Tereré desce gelado 100 ver
Balbuciando o canto de amores
Campestre na lida das guaviras
E assim se foi o peixe dourado vira
Para atlântico fazer famílias em tri línguas.
Carlos Amarilha





❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾
Analisar o soneto de Carlos Amarilha é mergulhar em uma construção que, por trás da aparente simplicidade, esconde uma técnica refinada de modernismo regionalista. O autor utiliza a estrutura clássica do soneto, com seus dois quartetos e dois tercetos, mas subverte a rigidez acadêmica para dar lugar à fluidez do Rio Dourados. A ‘malandragem’ poética começa na sonoridade: o uso de aliterações (como o “s” e o “r” em desce, curva, chuvoso, poderosos) não é por acaso, ele emula o barulho da água batendo nas pedras, trazendo o leitor para dentro da correnteza logo de cara.
O poema é rico em figuras de linguagem que elevam o cotidiano ao patamar do mito. Temos a personificação (ou prosopopeia) quando o…
Se a gente olhar "por baixo do capô" desse soneto do Carlos Amarilha, dá para ver que ele não é só "bonitinho"; tem uma construção técnica estratégica que mistura o clássico com o regionalismo moderno.
Gostei.
Anderson Verão
Americana-SP
Olha, ler esse soneto do Carlos Amarilha é como sentir aquela brisa que sopra na beira da água logo cedo, sabe? O texto tem uma malandragem boa de poeta, aquela sagacidade de quem sabe brincar com as palavras enquanto observa o mundo. Ele começa mostrando a força do Rio Dourados, com os peixes encarando a correnteza e os “rolos” do rio como se fossem verdadeiros guerreiros. É uma imagem poderosa, mas que logo ganha um tom de puro bem-estar quando o dia clareia e a natureza dá aquele espetáculo de “nuvens de lírios”.
Aí vem a parte que a gente mais se identifica: aquele calor de rachar que só quem vive por aqui conhece! O poema traz uma sensação térmica…
Douradão velho de guerra