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Poesia - Poemas para Campo Grande, por Raquel Naveira

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 4 minutos
  • 2 min de leitura

Quarta no Blog do Alex Fraga é dia especial de poesia com a escritora e poeta de Campo Grande (MS), Raquel Naveira, onde faz uma homenagem para a cidade em seu aniversário, com poemas para Campo Grande.


POEMAS PARA CAMPO GRANDE

De Raquel Naveira


CAMPO GRANDE


És uma deusa de barro,

Carranca feita pelos índios,

Modelada na argila vermelha,

Na tinta seca das trilhas.


Tens a cara lambuzada de pó,

Revolvida pelas grades dos arados,

Pronta para os derrames e as sementes

Que brotarão na primavera.


Tens os braços gigantes,

Capazes de acolher filhos de todas as raças

Com o mesmo duro amor de mãe

Que incita ao trabalho e à esperança.


Tens a veste de palha

Bordada de edifícios e construções,

Formando desenhos cada vez mais complexos

Sobre o teu peito nu de cerrado.


Canto o teu gosto de campo,

De soja,

De guavira doce.


Canto a noite que rondava o teu deserto,

O aroma do teu gado,

O sangue e o suor da tua gente.


Canto pela raiz que prende a teu ventre,

Pelas almas que, embora possuam divagações de mares e âncoras,

Estão cheias de ferraduras, de serragem, de tratores.


E quando tua riqueza de arroz e farinha,

De ouro e progresso,

Saciar todos aqueles que pisarem teu solo,

Hei de cantá-la mis ainda,

Como fazem os pássaros para receber o sol

No coração da mata.


ALHAMBRA


Alhambra fica em Granada

É fortaleza dourada e azul

Cuja torre até hoje recorda

A rainha aprisionada;

Sem mouros

E sem colinas,

Campo Grande tinha sua Alhambra,

O cine Alhambra,

Com cortinas de veludo verde,

Palco coroado de cactos,

Camarotes

Para que damas usassem leques e decotes.


Lá no Alhambra

Não havia mirtos,

Nem fonte de alabastro

Sustentada por leões,

Mas na tela desfilavam

Romeu e Julieta,

A Moreninha,

O Conde de Monte Cristo

Em tardes quentes

Em que éramos adolescentes

Com curiosidades latentes

E peitos palpitantes.


Demoliram o Alhambra...

Terá sido terremoto

Derrubando colunas,

Pátios,

Galerias,

Tanques,

Arabescos,

Salas,

Abóbadas?


Demoliram o Alhambra...

Brilham nos destroços

Nossos sonhos escarlates.

 
 
 

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