Poesia - Pescaria, por Fabiano Pereira
- Alex Fraga

- 26 de abr. de 2025
- 1 min de leitura

Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o empresário e poeta de Dourados (MS), Fabiano Pereira, com "Pescaria".
PESCARIA
Quando guri, fui pescar no Miranda,
caudaloso rio de calmaria.
Água tão esmeralda que espanta,
que até hoje me admira.
Contemplando o rio do meu barranco,
caminhei mansinho, pé por pé.
Vi ali, no banco de areia, meu canto;
montei minha varinha,
encaixei o molinete e a linha,
lancei na água minha fé.
Eis que sobe um cardume,
o maior que o mundo já viu!
Eu, com iscas de milho,
meu pai, espantado, assentiu:
— Prepara o samburá, que vem peixe!
O rio generoso sorriu.
Iscamos nossos anzóis,
lançamos na correnteza;
chumbada mergulhando o milho,
piau avança à espreita.
Piraputanga passa na frente,
aperta o aço com o dente;
a ponta da vara enverga,
no olho vejo o contato.
As mãos fazem o tranco,
eu, faceiro no barranco...
Mais um peixe tá fisgado.
E foi um atrás do outro:
linda tarde na ribanceira,
o bugio grudado na copa,
tatu saindo da toca.
Eu fisgando meu peixe,
só dando tempo de tirar;
de tão farta a pescaria,
pesquei até curimbatá —
mas esse devolvi pro rio,
pra não ter que escamar.
Fisgamos um atrás do outro,
e lembro como se hoje fosse:
eu devia ter uns nove anos,
meu pai, menos fios brancos.
E aquela água, que de tão doce,
ficou guardada na memória,
onde o tempo pesca lembranças
e lança de volta a história.
Fabiano Pereira





Me vi no rio!