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Poesia - Onça Pintada, por Carlos Magno Amarilha

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 18 de abr. de 2025
  • 1 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor universitário, poeta e escritor de Dourados (MS), Carlos Magno Amarilha, com o poema "Onça Pintada".


ONÇA PINTADA


A onça antigamente conhecida como jaguaretê

visitava carreteiros (carroceiros) desprevenidos

em uma parada nos riachos, córregos e rios

por isso: ‘chegou a hora da onça beber a água’

ou melhor, degustar daquele momento sublime

reservado de coisas boas e deliciosas

mas nada é tão simples assim

o jaguaretê quando grita

a floresta toda se arrepia

deixando os bichos estonteados

atordoados da zonzeira toda

no final virou tapete na Alemanha

sofá de madame na França

casaco chique na Espanha


deixando o turco árabe português espanhol

com o lucro em Londres

o coronel com o poder

o trabalhador com direito a hora extra por mês

e a onça não virou xadrez

sumiram com ela de vez



(Carlos Amarilha, In: poesia do pantanal: bicho, areia e cal)

 
 
 

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18 de abr. de 2025
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O poema "Onça Pintada", de Carlos Amarilha, constrói uma narrativa concisa e impactante sobre a exploração e o desaparecimento da onça-pintada, outrora conhecida como jaguaretê. Através de uma linguagem aparentemente simples, o autor tece uma crítica contundente à ganância humana e suas consequências para a fauna.

A primeira estrofe estabelece um cenário de encontro fatal entre o predador e os "carreteiros (carroceiros) desprevenidos". A expressão idiomática "chegou a hora da onça beber a água" é ressignificada de forma sombria, sugerindo a vulnerabilidade das vítimas diante do felino. A subsequente correção, "ou melhor, degustar daquele momento sublime / reservado de coisas boas e deliciosas", ironiza a perspectiva da presa, contrastando a beleza do instante para a natureza com o perigo iminente…


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