Poesia - O voo das tanajuras, por Paulo Portuga
- Alex Fraga

- 23 de jul. de 2025
- 1 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o músico, professor, poeta e escritor de Dourados (MS), Paulo Portuga, com " O voo das tanajuras".
O VOO DAS TANAJURAS
Fui colher jabuticabas
No fundo do quintal
Depois do vendaval que deu
Quando olhei para o céu
Eu vi uma chuva de formigas
Tanajuras, conhecidas como içás
No linguajar da terra
Pequenas cabaças aladas
Voando e dançando
Aterrissando desastrosamente
Por sobre a grama esmeralda
Num pouso inevitável.
Enquanto perdiam suas asas,
Patas e mandíbulas cavavam
A terra castanho-avermelhada
Afofada pelas chuvas de verão
E abriam-na com força de titãs
Incessantes, pareciam máquinas
Escavando buracos
Por onde se enfiavam
E, depois, saiam com mais torrões.
Ali depositavam
De seus redondos abdomens
Milhares de ovos
Que mais tarde viravam
Larvas, pupas, jardineiras, cortadeiras,
Saúvas vermelhas
Um novo formigueiro
Uma nova sociedade organizada
Até o próximo voo nupcial.
Paulo Portuga, do livro “Versos Para Viagem”.





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