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Poesia - O valor da Paga, por Paula Valéria Andrade

Sábado no Blog do Alex Fraga no espaço de literatura é dia de poesia com a poeta e escritora de São Paulo (SP), Paula Valéria Andrade, com O Valor da Para.


O Valor da Paga


Por não acreditar em si,

Aceitava qualquer salário.


Não por ser otário,

Mas por humildade

Extrema modéstia,

Cinzenta autoestima.

Ou medo do risco,

Ou do imprevisto.


Acordava cedo,

Trabalhava duro,

Pouco faturava.


Assim sua vida

Andava,

Como um relógio.


Temia mudancas,

Tinha poucas esperanças.


Mas a vida,

É como o empregador,

Patrão de nosso destino,

Penhor de seu valor.


Somente oferece

Aquilo que você aceita,

Não desiste

Não rejeita


Pois se achas que não mereces,

Tanto faz!


Pois se achas que mereces,

Tanto faz!


Se queres centavos

Terás centavos!


Se queres e acreditas,

Terás o que meditas.


Mas sem esperanças

Coragem e perseverança,

Sujeito não soube

Como entrar na dança,

Para mudar seu destino.


Assentou e conformou.

Assim continuou

Sua vida pacata,

De trabalhador normal.


Dia-após-dia exatamente igual.


Batendo cartão de ponto

Não sonhando tanto,

Sem muita alegria

(Mas também nenhum pranto)

Definitivamente

Sem muitos desejos

(Muito menos os ardentes)

Ou qualquer encanto.


Sem acrobacias,

Saltos de trapézio

Ou andar na corda bamba,

Universos paralelos.


Acreditando,

Que o pássaro do encanto nunca chega,

Para quem vive no tédio.


E por não acreditar

Em si, sujeito terminou

Com pouco,

Sem fôlego,

(Nem muita história, a contar)

Consumido de remédios,

Sofrido, doido e enterrado entre os prédios.

Soube apenas conformar.


Do livro "A Pandemia da Invisibilidade do Ser" (2019)


© Paula Valeria Andrade - 2005

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