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Poesia - O suicida, por Helena Pereira



Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com a poeta e escritora de Amambai MS, Helena Pereira, com O suicida.


O suicida


A dor que trazia nas costas fatigava o corpo

Sentou-se no limiar da vida cabisbaixo

O passado descia como uma avalanche sobre o presente

Atrás, apenas a terra devastada

À frente, um abismo intransponível pelas forças que restaram

Olhava fixamente o nada disfarçado de futuro

A eterna obrigação de permanecer vivo

Era como uma bigorna no lugar do coração

As borboletas no estômago morreram de abandono

Trazia nos braços as marcas das lutas

Liberdade e autonomia nunca conquistadas

E o corpo tatuado de amor não era o desejado.

Sentindo o gosto doce do próprio sangue na boca

Inclinou lentamente o corpo para o precipício

Pairou leve na escuridão, que o abraçou de pronto

Nada o tinha acolhido tão prontamente quanto a morte

Ninguém tinha sido tão sincero

A morte é a única que não faz julgamentos ou distinções

Não exclui como a religião

Não exila como o amor

Não escraviza como a vida

Apenas aceita o filho que a casa torna

Deita-o na melhor cama

E como uma paciência de mãe, beija-lhe a face

E deixa-o dormir eternamente em seus macios edredons


*Escrita em junho de 2018.

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2 Comments

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Guest
Mar 16
Rated 5 out of 5 stars.

Vem relatado, parabéns

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Guest
Mar 16
Rated 5 out of 5 stars.

Muito interessante!

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