Poesia - O Fauno, por Isaac Ramos
- Alex Fraga

- 24 de nov.
- 1 min de leitura

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor universitário, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Isaac Ramos, com "O Fauno".
O FAUNO
(Isaac Ramos)
No labirinto dos desejos o fauno nem sempre guarda o rebanho
O sentimento devorador ataca ovelhas desgarradas
E deixa sem guarda o abrigo
No meio do rastro um pedaço de seda se anuncia
Será paixão ou oferenda de sorrisos?
Nem uma coisa nem outra
É metonímia esculpida por engano.
Breve tormenta me avalancha
Sob um calor tropical a neve queima
Fogo fátuo de luz não me contagia
Nenhuma lírica profana
Consegue atear a lenda de sereia
Sendo condenada ao lodo do esquecimento.
Na madrugada o lobo da estepe
Recolhe seu uivo profano
E não por engano o silêncio retorna sem sinestesias
O fauno apascenta seu rebanho
E a manhã se abre sem arco-íris.
(Livro Teias e Teares, 2014, p.72)





Altíssimo nível mundial Alex e Issac