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Poesia - O Arrependimento de Chico Peregrino, por Fabiano Pereira

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 27 de set.
  • 2 min de leitura
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Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o empresário e poeta de Dourados (MS), Fabiano Pereira, com "O Arrependimento de Chico Peregrino".


O Arrependimento de Chico Peregrino


Seu Francisco, cansado, reclamando,

contou da vida dura lá na roça…

Que tudo era feito no suor da sua mão,

e lamentando me disse, nessa triste prosa:

que mudou com a família pra cidade,

pois o menino já passava da tenra idade —

e, pra sê douto, procurou uma boa escola.


Criado bruto, sem estudo e educação,

Chico era um xucro boiadeiro…

Que das coisas mal tinha noção.

Botou a vida num saco

e se foi com a família do mato…

Fez do seu sonho uma ilusão.


Daí se embestou vir pra cidade:

— tinha muita gente, é verdade;

— até o posto de saúde,

— internet boa pra conversá,

e os filhos ficando letrado;

pois já tinham onde estudá.


Final do dia, ia pro boteco

pra uma sinuquinha jogá…

Mas sentia falta dos marreco,

da vida da roça que ficou pra lá.


Já a Creusa ia pro salão,

vivia pra se emperiquitar…

Pintou o cabelo de fruta-cor,

levou até minha filha pra tatuá.

— Melhor eu nem falar delas

— Isso só faz me magoar.


A saudade agora dói como fissura:

tirava leite, fazia queijo e rapadura…

Diz baixinho que se arrependeu;

se antes reclamava da vida dura,

era mesmo boa o que Deus lhe deu.


Chico quer pra roça voltar,

mas lá já tem outro peão…

Só lhe resta aqui ficar,

comprou casa a prestação.


Não acorda mais com o galo,

não toma mais chimarrão…

— Cadê os porco do chiqueiro?

— Os cavalos, os companheiro?

Mal consegue o ganha-pão.


E se antes sua mão era calejada,

sente, no hoje, a dura punição…

Ontem tocava boi na invernada,

hoje segura o cabo da enxada,

trabalhando na dura jornada,

cavando poços em construção.



 
 
 

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