Poesia - Noção Nenhuma, por Carlos Magno Amarilha
- Alex Fraga

- 13 de mar.
- 1 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, poeta e escritor de Dourados (MS), Carlos Magno Amarilha, com "Noção Nenhuma"
NOÇÃO NENHUMA
as palavras repetidas
inúmeras ocasiões
mas com sentidos
ou contextualizações
diferentes:
vida
poema
poesia
rima
linda
dia a dia
apartamento
metáfora
metonímia
floresta
sol
jardim
amizade
flor
nuvens
e, sabe Deus mais o quê?
Não posso ficar cuidando
dá vida dos outros
tenho mais o que fazer.
(In: Carlos Amarilha. A Galáxia da Tipografia, p. 47).





Mano, você não tem noção de como as suas poesias são verdadeiras obras primas.
Demetrio Alencar
Campo Grande
Diferentão
Gostei... “Não posso ficar cuidando da vida dos outros / tenho mais o que fazer”, o poema rompe com qualquer solenidade excessiva. É um grito de independência criativa: o autor está ocupado demais com a sua própria “linda” construção literária e com os seus próprios dilemas para se perder em fofocas ou observações alheias. É um lembrete de que a poesia exige dedicação integral e que, no fim das contas, a “noção” que realmente importa é a de estar presente na própria criação, deixando que as palavras se repitam e se transformem livremente sob o olhar de quem escreve.
Rita de Cássia
Dourados
A obra brinca com as ferramentas clássicas da linguagem, a “metáfora” e a “metonímia”, mas as coloca no mesmo patamar de elementos simples como o “jardim”, a “flor” e a “amizade”. Essa equalização mostra que, para o poeta, a técnica e o sentimento estão entrelaçados em uma busca constante por definição, ainda que o desfecho do texto traga uma reviravolta irônica e muito humana.
Silvana Maria
São Paulo
O poema “Noção Nenhuma” propõe um jogo de espelhos verbal que é, ao mesmo tempo, um exercício de estilo e uma declaração de princípios sobre o fazer poético. O texto se debruça sobre a ideia de que a repetição não é necessariamente redundância; pelo contrário, o autor sugere que palavras como “vida”, “poesia” e “rima” podem ser habitadas inúmeras vezes, desde que tragam novos sentidos e contextualizações a cada fôlego. Ao listar termos que vão do cotidiano concreto do “apartamento” e do “dia a dia” à vastidão simbólica da “floresta”, do “sol” e das “nuvens”, o poema cria um inventário do que compõe a existência e a escrita.
Nelson Peres
São Paulo