Poesia - Namorada Inópia, por Carlos Magno Amarilha

Sexta-feira no espaço de poesia no Blog do Alex Fraga. Carlos Magno Amarilha, de Dourados (MS), historiador, pesquisador e poeta, doutor em Educação, mestre em História e presidente do Grupo Literário Arandu. Seu poema Namorada Inópia..

NAMORADA INÓPIA
O infinito das matemáticas
[perseguem-me
o amor percebido a quilômetros
de imensos carinhos
as plantações ocupam as cabeças do
céu com lindas flores...
um surf urbano devorante
diante das avenidas e calçadas
uma composição deliciosa
e sinto a tua ausência!
parto a tua caça!
na América do Norte
Cruzo o Pacífico com o Atlântico
pelo som estou no Japão,
aumenta minha fissura
corro no trem eletrônico
e atravesso o
Canal da Mancha.
Inglaterra! Escócia, Pantanal e brisas...
engarrafamento em Nova Iorque!
dou a volta e permaneço em Roma
Paris, Lisboa, Madri, Rio, Amazonas
e os olhos de São Paulo
avistam de longe Dourados!
Campo Grande em Pantanal
do Brasil Nosso Senhor!
onde está você?
procuro na Lua, em Marte, Saturno
lá em Moscou e necas!
coisa nenhuma!
Nem na fachada do Peloponeso
não estava também no Rio Nilo
fui até às margens do Rio Paraguai
...
Cadê você?
dou a volta por cima
e já estou no vigésimo andar
ausento dormir embebedado
e, muito pê da vida!
por não te encontrar
nem no sonho sonhado
Espero com esmero!
um abraço apertado de sorrisos
e de muitos carinhos congelados.





A gente sai de casa com aquela esperança meio besta no peito, achando que vai ser dessa vez. Bate aquela vontade louca de encontrar alguém, de cruzar com o amor na esquina, e o coração já acelera antes mesmo da porta se fechar.
Vira rotina essa maratona meio tonta. A gente corre para o barzinho da moda, senta numa mesa de canto, finge que lê o cardápio, mas o olho não sai da porta para ver quem entra. Depois, larga o copo pela metade e resolve ir ao cinema, imaginando aquela cena clássica de comédia romântica: esbarrar em alguém, derrubar a pipoca, trocar olhares. Que nada! Só luz apagada, filme sem graça e a poltrona fria do lado.
A caminhada…
O poema revela a alma de um espírito profundamente imaginativo, cujo pensamento transita com fluidez entre a precisão do infinito matemático e a delicadeza de paisagens floridas e urbanas. Movido por um sentimento avassalador, o poeta percebe o amor em cada recanto, mas depara-se com a ausência dolorosa da pessoa amada, o que o impulsiona a uma busca incessante e febril.
Em sua ânsia por encontrar alguém para ser sua alma gêmea, o poeta empreende uma jornada monumental que desafia os limites geográficos e espaciais. Sua imaginação transita velozmente pela América do Norte, cruza os oceanos Pacífico e Atlântico, alcança pela velocidade do som as montanhas do Japão e atravessa o Canal da Mancha a bordo de trens elétricos. A…