Poesia - Na rua da minha casa, por Paulo Portuga
- Alex Fraga

- há 6 horas
- 2 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o músico, professor, compositor e poeta de Dourados (MS), Paulo Portuga, com "Na rua da minha casa".
NA RUA DA MINHA CASA
Na rua da minha casa,
Tem um pé de manga-rosa,
Cheirosa como só.
Tem acerola, jabuticaba,
Tem pitanga e goiaba.
Tem um pé de cajá-manga
Que, de manhã cedinho,
Fica cheio de maritacas,
Fazendo algazarras engraçadas.
Outro dia, a macaúba
Ficou cheia de lagartas
Que comiam suas folhas
Num apetite feroz.
Foi quando, de repente,
Um bando de anus-brancos,
Em revoadas curtas e rasantes,
Devoraram-nas, soltando piadas,
Chamando outros pássaros
Para o banquete de larvas.
Com o tempo, novas folhas brotaram,
E seu tronco está cheio
De cachos carregados,
Pendurados bem lá no alto,
Onde alguns papagaios se alimentam.
Tem seriguela que caem maduras
E forram o asfalto de piche
Deixando-o melado
De vermelho encarnado
Em tons escarlates.
Tem revoadas de pássaro
Periquitos-de-encontro-amarelo
Deixam ingazeiros satisfeitos
Chalreiam em agudos intensos
Avisando que já são cinco horas.
Na rua da minha casa,
Ainda tem terrenos baldios
Que são puro mato,
Em tons de verde incontáveis.
Tem ervas com bolinhas vermelhas,
Bem pequenininhas,
Que, na minha infância,
Não se podia comê-las,
Porque eram frutinhas venenosas,
E a gente tinha medo
De colocar na boca
Pois poderia morrer.
Tem samambaias que vicejam
Nas frestas dos muros.
Tem trepadeiras,
Como o melão-de-são-caetano,
De gosto muito amargo.
Tem um chorão lindo,
Só que ele mora do outro lado
Na calçada da vizinha,
E eu gostaria de tê-lo na minha.
Na rua da minha casa,
Tem muitas nascentes de água.
Água pura, fresca e limpa
Brotam nos quintais das casas
E descem indomadas
Para o rio Laranja Doce,
Cavando túneis por debaixo da terra.
A rua da minha casa
Ainda guarda o singelo fim de tarde,
Onde ainda se pode ouvir pássaros,
Sentar na frente de casa
Ver a lua e apontar as estrelas.
Paulo Portuga, 01/04/2026.





Legal