Poesia - Não posso..., por Marcos Coelho
- Alex Fraga

- 17 de mai.
- 2 min de leitura

Domingo no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Marcos Coelho, com "Nào posso".
NÃO POSSO...
Marcos Coelho
Não posso dizer palavras doces...
Nem posso dizer palavras amargas...
Não posso dizer palavras ocas de sentido...
Nem posso dizer palavras cravejadas de beleza...
Não posso dizer do meu silêncio dolente e impiedoso...
Não, não posso dizer, não quero, não devo, e acho que nem é certo dizer...
Mas, mesmo assim, o silêncio insiste e sai pelos poros...
A vileza do tempo gargalha pelas ruas e dias que se seguem...
A vileza das pessoas acompanha tudo muito atenta...
Irrompem em verdades abertas...
Palavras claras fruem em mistérios ocultos...
O canto de sereias em oceanos de impiedade...
Tenebrosos tempos... Conflitos declarados...
Templos cheios de fé...
Agora, são apenas escombros ante a ambição tórrida da guerra...
O amor cessou no último ataque, no último tanque que passou...
Os corações, antes prenhes de esperança, jazem plenos de agonia e dor...
Agora, jazem entre escombros, ante a gula de urubus...
O sentimento está corrompido ou atordoado...
As pontes não são mais seguras...
O tempo e o ponteiro do relógio disputam ações...
Ações intempestivas e inesperadas...
A insanidade graceja, ri, valsa entre desesperos...
A loucura acompanha tudo como telespectadora do caos...
Apocalipse e eclipse por todos os lados...
Perspectivas cruéis em páginas escritas num romance macabro...
A sórdida palavra carrega a acidez de sentimentos impuros...
O ódio range os dentes quebrados...
Ossos e esqueletos jazem nas estradas e entre muros...
A história é mal interpretada e mal contada a todo tempo...
Meias verdades, meias palavras, mentiras inteiras...
Paixões tresloucadas de alucinações e alucinógenos...
Foguetes que se lançam em testes frustrados corrigindo equívocos...
O poeta mal acompanha a batida da vida...
A musicalidade orquestrada e intrépida que nos chama a viver...
Não posso dizer tudo...
Guardo meus segredos entre poesias...
Sou um geodo a guardar o melhor da gema...
Meu diamante jaz guardado em meio ao escuro carvão...
Translúcido e valioso, porém oculto ante o desconhecimento humano.
Descobrir-se talvez, um dia o amor virá...
Será lindo por certo...
A velha maquina não cessa o coser entre linhas as estampas...
Entre tudo há amor, ousadia, melodia,
Grafia, harmonia, e no final mesmo, só eterno o é o amor e a POESIA.





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