Poesia - Não aprendi sobre violência, Athayde Nery
- Alex Fraga

- 3 de abr. de 2025
- 2 min de leitura

Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com a advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Athayde Nery, com "Não aprendi sobre violência"
Não aprendi sobre violência.
Aquele homem que matou já foi um bebe e um menino
As mulheres são ventres da nossa existência
E ainda apanham e morrem
Até quando?
Estamos nos alimentando de ventos frios sem gosto
Desconfiados daquele sol
Distantes da lua que até sorria quando te via
Estrelas pedem poesia e ficam no vácuo
Os girassóis nem conseguem nos olhar
Muitas infâncias carcomidas de adultice
Nem sei por onde começar
Me vi brincando no barro sem medo de bactérias ou doenças
Um bicho geográfico da coceira gostosa até a mãe matar
Minha mãe era matadora de nossos bichos internos e externos.
Alguns ficaram eternos como aquele chinelo de tiro certo.
Ou o beijo no momento incerto. “Mamãe te ama”
Brinquei como ninguém brincou
Briguei por justiças infantis como o número de mangas e goiabas para cada um
Fui todos os meus heróis que nem eram muitos.
Meu pai, minha mãe, meus professores e professoras
Rolei em todos os quintais sem muro e com muro que pude pular
Subi em todas as árvores que chegavam ao céu mesmo sem ser um pé de feijão
As árvores querem se esconder dos nossos sonhos e tombos
Corri por horizontes longínquos, quantos carrapichos.
Ah, fui Pelé, Jairzinho, Garrincha e Copeu.
Fui Machado, Clarice e Cecília
Exausto dormia com o dia seguinte na espreita
Hoje quero ser Rebeca, Martha, Fernanda
e todas as mulheres que nos fizeram existir
pra estancar essa dor de perdê-las para o medo
Aquele homem que matou já foi um bebe e um menino





Texto forte Poeta Athayde. Chega dói!
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