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Poesia - Miudeza, por Edson Moraes

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • há 7 horas
  • 1 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o jornalista, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Edson Moraes, com "Miudeza".


MIUDEZA

(Edson Moraes)


I

queimei as poesias que escrevi

mas não consegui apagar as reticências

vieram as brasas da inútil consciência

e as cinzas me costuravam, teimosas

em borrões de afetos vestidos de organdi

II

outras fogueiras ao longo dos meus medos acendi

desperfumei o que havia de prazer nas rosas

pus o riso e pus o pranto no anteparo dos quintais

na esperança tola de ensolarar os desencantos

e assim me abreviariam como em mortes sazonais

e a cada morte em cada caos sobrevivi

talvez quem sabe assim serei um enquanto

III

custo entender que as confissões são insinceras

e é impossível sepultar a alma e o verso

deter a paz do fogo e o requebro das quimeras

negar o tempo, cuspir o mel, acorrentar o rio

custo entender que o futuro é o submerso

que a sanidade é açucarada e vazia

que a esperança se acumula de esperas

que a liberdade se entroniza na poesia

IV

a poesia é tão céu, tão sol e tão mares

a poesia, humanamente infinita

a poesia, andarilha miúda

reticente extensão da palavra

tão descalça, levada e aflita

tão drummond, lobivar, tão neruda

não precisa de um deus pra ser fé

não precisa ser feia ou bonita

a poesia...a poesia simplesmente é!

 
 
 

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