Poesia - Meu coração fora dos trilhos, por Athayde Nery
- Alex Fraga

- 9 de out.
- 1 min de leitura

Quinta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Athayde Nery, com "Meu coração fora dos trilhos"
Meu coração fora dos trilhos
Quando acordo assim Campo Grande na veia,
me encho de segredos e prosas.
Araras ainda pintam o céu com seus gritos.
Afonso Pena me encanta e ao mesmo tempo corta as entranhas
Manoel de Barros sentado na Rui Barbosa
me salva dessa aridez poética.
Do Hotel Gaspar abandonado,
vejo os trilhos, a rotunda, a estação.
Ali já teve um trem.
Já andei nesses trilhos e sei quanta insensatez
enferrujou seus ferros antes que os amordaçassem.
Como pode? Trilhos que não andam e não vão pra lugar nenhum.
Por que não amaram os trilhos e os sonhos pantaneiros como eu amei?
Vou pra Corumbá! Canta nosso poeta Geraldo Espíndola
Como? Só de ônibus ou de carro.
Lá se foi o sanduíche de mortadela, tubaína e o Bife a cavalo.
Cabine com beliche. Poltrona de plastico azul
O chacoalhar das juntas
Tudo tão bom!
Nem trocaram por nada mais moderno.
Um trem bala, que pantaneiro ia chamar de trem caramelo.
Não ia dar nem pra pescar no rio paraguai de tão rápido.
Perigo mesmo, só as capivaras fugindo de onça, nos trilhos





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