Poesia - Menino Índio, por Paulo Portuga
- Alex Fraga

- 13 de mar. de 2024
- 2 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta, compositor, músico, professor, Paulo Portuga, (Dourados MS), com Menino Índio.
MENINO ÍNDIO
O menino índio acordou cedo
Tomou chá e comeu bolacha seca
Que conseguiu em suas andanças
Não teve tempo nem de sonhar
Mal se recuperou do ontem
E o sol já começou a clarear o horizonte
Sabe que hoje não tem brincadeira
Também não vai para a escola
É dia de trabalhar!
Vender as coisas da roça na feira
Milho, abóbora e raiz de mandioca
Tudo bem ajeitado na carroça
Que sustentam vidas na aldeia
Na periferia da cidade
Onde sua oca se esconde
Seu destino é a praça central
Pelo caminho, pés descalços
Suportam o calor do asfalto
Estende a mão frágil e suja
A fome é cruel e esmola
- Tem alguma coisa pra dá?
Se não tem comida
Serve um pouco de água
Que na reserva
É coisa rara de encontrar
Com sorte, consegue
Alguma coisa que sobra
Uma roupa velha
Um brinquedo quebrado
É o que merece o pobre coitado
Atravessou tantas ruas
Bateu palmas em tantas casas
Cansado, sentou-se à sombra
De uma goiabeira
Comeu algumas frutas
Que apodreceriam no chão
E rumou em sua caminhada
Seu destino foi nascer índio
Sua sina é sobreviver
Lutar mesmo ainda criança
Diante de tantos nãos
A tristeza invade seu peito aflito
Assim vai perdendo
O seu tempo de menino
Quando vê, já é tarde
Volta para a sua palhoça
Com alguns trocados
No bolso da calça surrada
Mas a barriga da miséria
Ainda continua vazia
Comeu o que mendigou
E sumiu no escuro da noite
Olhando as estrelas
Mantendo a esperança
No dia de amanhã...
Paulo Portuga, 12/03/2023





Parabéns
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