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Poesia - Menino Índio, por Paulo Portuga



Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta, compositor, músico, professor, Paulo Portuga, (Dourados MS), com Menino Índio.


MENINO ÍNDIO


O menino índio acordou cedo

Tomou chá e comeu bolacha seca

Que conseguiu em suas andanças

Não teve tempo nem de sonhar

Mal se recuperou do ontem

E o sol já começou a clarear o horizonte

Sabe que hoje não tem brincadeira

Também não vai para a escola

É dia de trabalhar!

Vender as coisas da roça na feira

Milho, abóbora e raiz de mandioca

Tudo bem ajeitado na carroça

Que sustentam vidas na aldeia

Na periferia da cidade

Onde sua oca se esconde

Seu destino é a praça central

Pelo caminho, pés descalços

Suportam o calor do asfalto

Estende a mão frágil e suja

A fome é cruel e esmola

- Tem alguma coisa pra dá?

Se não tem comida

Serve um pouco de água

Que na reserva

É coisa rara de encontrar

Com sorte, consegue

Alguma coisa que sobra

Uma roupa velha

Um brinquedo quebrado

É o que merece o pobre coitado

Atravessou tantas ruas

Bateu palmas em tantas casas

Cansado, sentou-se à sombra

De uma goiabeira

Comeu algumas frutas

Que apodreceriam no chão

E rumou em sua caminhada

Seu destino foi nascer índio

Sua sina é sobreviver

Lutar mesmo ainda criança

Diante de tantos nãos

A tristeza invade seu peito aflito

Assim vai perdendo

O seu tempo de menino

Quando vê, já é tarde

Volta para a sua palhoça

Com alguns trocados

No bolso da calça surrada

Mas a barriga da miséria

Ainda continua vazia

Comeu o que mendigou

E sumiu no escuro da noite

Olhando as estrelas

Mantendo a esperança

No dia de amanhã...


Paulo Portuga, 12/03/2023



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2 Comments

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Guest
Mar 15
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Parabéns

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Guest
Mar 13

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