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Poesia - Marginais, por Nelson Araújo Filho

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 25 de fev.
  • 1 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Nelson Araújo Filho, com "Marginais: .


MARGINAIS


Pés sempre descalços

Pelas águas

Belos campos de águas do Senhor

Ermos dos alagados

Passagem também de alegres bandos

Dividindo parcos peixes

Em troca, trocados

Trocados apenas, deixados.

Repartição injusta

Corroeu carimbos

Sobre selos e estampilhas calcados

Pelo esforço virtuoso

Da colônia Z alguma coisa.

Homens sem vez

E caixa de voto

São órfãos à margem

Usuários do favor e bolsas

Disso, daquilo.

Fome é castigo.

Pobreza é luxo.

A terra seca

Não tem areia.

Sem dó

Amarga, endure o chão

Forja calos de tamancos.

Fantasmas habitam aqui

Silêncio deles não estorva

Afasta lentes

Mídias de extração.

Predar o que resta,

animais e os do meu semelhante,

penalidade sem recurso

O destino decretou.

Fome é castigo,

Inclemente

Encheu o coração

Barro embrutecido

Duro, tirado da terra.

Para eles nada serve

O esplendor desses campos.

E contraste, tantos assim

Sem consolo

Queimaram meus olhos.


Nelson Araújo Filho

 
 
 

3 comentários

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Fortíssima!

Pedro Henrique - Campo Grande MS

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Sempre surpreendendo o poeta Nelson Araújo. Lindo poema.

Renata Pinheiro Días

Campinas SP

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Que as pessoas reflitam nessa poesia. Parabéns ao autor.

Fernanda Nogueira

João Pessoa PB

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