Poesia - Leviatâ, por Nelson Araújo Filho
- Alex Fraga

- 10 de set. de 2025
- 1 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o advogado, poeta, escritor e presidente do Instituto Agwa, Nelson Araújo Filho, com "Leviatâ"
LEVIATÂ
Uma mortalha feita de iniquidades
Tenho preparado.
Nenhum fio de seda ou linho uso.
Raios ferozes revelam
Agonia recortada em tiras
Aquela que pensei ter visto arder
No mesmo braseiro
Onde joguei ratos, bandos
Os que vieram ontem
Outros há pouco multiplicados no dia.
Tenho delírios.
Escapam como previsto
Pelos portões descurados de vigília.
Não sobrevivem ao sol.
Na penumbra protejo-me do bem.
Peco.
Por gosto
Por culpa das pernas fracas,
Às vezes.
Vi o medo se vestindo do escuro
Indo contaminar profundo
Todo o imaginário.
Não estava comigo
Quando desdenho muros
Arrastando-me até bordas
Impuro o desejo.
Dessas águas ainda tenho
Um vazio por beber.
Um amargo vazio
Devora-me o dia.
Nelson Araújo Filho





Parabéns Nelson! Cirúrgico, como sempre! Me lembrei das palavras de Paulo e disparei:
Ainda que o bem eu queira
Ele me escapa, como água das mãos
Já o mal que rejeito, me envolve,
e nele meus passos tropeçam.
Não sou eu quem semeia o mal
Mas o pecado que em mim habita,
como um hóspede sombrio,
que insiste em ser meu guia.
E assim vivo essa labuta:
um coração que anseia a luz,
mas caminha entre sombras
em busca da redenção.
Sensacional 👏🏿
João Paulo Francisco
Rio de Janeiro RJ
Sublime!!!
Luciana Pires
Porto Seguro BA
Profundo realismo, sucesso paz e luz a você sempre 🥰🙂