Poesia - Lúbrica, por Isaac Ramos
- Alex Fraga

- 17 de nov.
- 1 min de leitura

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor universitário, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Isaac Ramos, com "Lúbrica"
LÚBRICA
(Isaac Ramos)
Escrevo torpes versos que
Insaciavelmente
Insistem em se mostrar
Não os nego, revelo-os
E, por isso, escancaro o verbo
Todavia nada mostra sobre meus sentimentos.
Desejos recônditos, suplícios e tormentos
Vêm à tona
É preciso que eles gritem
O canto inaudito
E que molhem o corpo com metáforas e hipérboles
E que delas saiam o sumo maldito
Todavia toda palavra se esvai.
Em prantos convulsos de suspiro
Teu desejo não silencia
Não estanca um só instante
E como uma adaga errante
Busca me serpentear
O pudor se perde nas entrelinhas
Quero crer que meu espanto
Será maior que meu encanto
Pois os meus desejos
Não são os mesmos que os teus.
Grito
Suplico
Amplio
A esmo
Mesmo assim teu corpo
Molhado no meu poema
Mostra o brilho da lubricidade.
E assim me encontras
Vestido de alma de poeta
E estendida no leito do poema
Faz-me saciar a geometria do desejo
De palavras copuladas com o silêncio
Que não queres ouvir
Ou que não deseja entender.
Solidão atroz
Lúbricos desejos arrefecidos
Rapidamente
Depois de recuperada a metáfora
O verbo novamente me domina.
(Livro Teias e Teares, 2014, p.70-71)





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