Poesia - Jornal de Papel, por Carlos Magno Amarilha
- Alex Fraga

- 30 de jan.
- 1 min de leitura

Sexta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Carlos Magno Amarilha, com "Jornal de Papel".
JORNAL DE PAPEL
o que não se sabe
chega de saudade
júbilo de prazer
contentamento
café da manhã
com jornal de papel
notícias fresquinhas
“filha de bailarina
primeiro lugar”
“lançamento do livro
espetacular”
“alta no arroz/alta da gasolina”
historiador lê
linha por linha
até as vírgulas do classificado
“vende-se dois bois ou
troca por duas éguas”
“o filho da giripóca
correu tanto que atropelou
uma senhora”
que deu alta ainda bem
...
(saudade para mais de metro)
IN: O Rosto da Rua, p. 53.





Adoro seus escritos, Amarilha, dá gosto, você realmente nos tira do sério...
Afonso Junior
Ponta Porã
Um detalhe genial no poema é a menção ao "filho da giripóca". Aqui, a palavra assume seu lugar de gíria pura. No contexto da poesia de Amrilha, ela evoca aquele personagem malandro, o apressado, ou até a famosa expressão "a giripoca vai piar", que remete a algo que vai dar o que falar.
Quando o poeta narra que o "filho da giripóca" atropelou a senhora, ele captura exatamente aquele estilo de crônica policial antiga, que misturava o fato trágico com o linguajar do povo. É a prova de que o jornal de papel não era apenas tinta; era a voz das ruas encadernada, com toda a sua irreverência e sotaque local.
A estrofe sobre o "filho da jiripoca" traz o…
A poesia, quando toca a alma, é o melhor tipo de notícia que podemos receber.
Às vezes, a rotina acelerada faz a gente esquecer da beleza que existia nos rituais mais simples. Por isso, fica aqui um agradecimento especial ao poeta Carlos Amarilha.
Obrigado, poeta, por usar suas palavras como uma máquina do tempo. Seu poema "Jornal de Papel" não é apenas um registro de notícias; é um abraço em quem sente falta do tempo em que a vida passava devagar, entre um gole de café e uma dobra de página.
Ler seus versos foi como sentir o cheiro do papel novo e ouvir o burburinho da manhã de novo. Obrigado por manter viva essa "saudade para mais de metro"…
É uma "saudade para mais de metro" mesmo! Ler os classificados, rir das fofocas locais e até se indignar com a alta da gasolina (que, pelo visto, é um tema eterno) era o que conectava a gente com a vizinhança e com o mundo.
E você? Também sente falta de sujar os dedos de tinta preta logo cedo ou prefere a praticidade do digital?
Maria Silvana
São Paulo
Hoje em dia a gente acorda e já desbloqueia o celular, mas quem viveu a era do jornal de papel sabe que o ritual era outro. Tinha o cheiro da tinta, o barulho das páginas virando e aquela sensação de que o mundo estava, literalmente, nas nossas mãos enquanto o café esfumaçava na xícara.
Rita de Cássia
Dourados-MS