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Poesia - Janelas de Rapina, por Isaac Ramos

Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, poeta e escritor de Alto Araguaia (MT), Isaac Ramos, com seu poema Janelas de Rapina.


JANELAS DE RAPINA

(in memorian de pássaros mortos em Manaus) 1 Um periquito sozinho não enreda uma manhã: ele precisará sempre de outros periquitos. De um que arranhe essa periquitagem que ele e o arremesse a outro; de um outro periquito que abrace o grito de um periquito antes e o mande a outro; e de outros periquitos que com muitos outros periquitos se mudem as réstias de sol de seus arremedos de periquito para que a aurora, desde a floresta densa, se vá enredando, entre todos os periquitos. 2 Todavia, traídos pela ira humana de seu trinado, entre tantos condôminos irritados, perdem a vida e, sobretudo, o reinado para que retirem a maloca de seu fio gritado, onde esgarçam todos, sendo envenenados em nome do silêncio, e na tessitura dessa armação a manhã fica aprisionada de maldade. Ontem foram as araras, hoje os periquitos que toldavam o cântico infinito que, suspirante, sucumbidos pelas janelas de rapina não mais se elevarão.


13/11/2018

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