Poesia - Inexatas, por Nelson Araújo Filho
- Alex Fraga
- há 22 horas
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Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o advogado, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Nelson Araújo Filho, com "Inexatas".
INEXATAS
Vestido leve
De cores estampados
Eram todos meus
Teus encantos
Feitos de charme e verdes promessas.
Correm-me ruas
Movimento.
Um dia de sol
De burburinhos tomado.
A vida era manhã
Seus passos, embalos
Derramados sobre largas calçadas.
Assim, docemente
Iludiu-me o tempo,
Travestido em horas.
Disse, preparei um taça!
Borbulha como champagne
E concentra envolvente
Mistura de festins,
Algazarra, carnaval e sexo.
- Vai, toma, entorna!
A poção é mágica,
Maiores os tragos
Maior a sede.
No fim da madrugada
Veio ladino, soberano
O tempo,
Seu rosto
Escondido atrás de manto
Brilhante de esplendor
E poder.
Fez-se tangível
Implacável, de amargar a boca.
As vozes de hoje
Ontem entardeceram.
Relógios indesejáveis
Seguem-me indômitos
Sinalizando o escasso.
Não durmo
Temo pesadelos.
Conheço as promessas
Do Filho do Homem.
Aos seus mandamentos
Devoto uma vacilante fé,
A que tenho suada,
Enquanto ao chão, agarrados
Pertencem meus pés.
Vã angústia
Às minhas costas.
Debaixo do firmamento
Tempo e tudo
Ciclos ordenados
Não são certezas
Horários designados.
O desarranjo orna a vida.
É dele,
Não meu, o desfecho.
Nelson Araújo Filho

