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  • Alex Fraga

Poesia - "Genocíndio", um alerta antigo de Emmanuel Marinho


Em uma época difícil em todo o mundo, não podemos esquecer das classes menos favorecidas. O poeta douradense Emmanuel Marinho há anos vem alertando, e agora devemos ter atenção ainda maior com os índios em Mato Grosso do Sul e em todo o mundo.


GENOCÍNDIO

(de Emmanuel Marinho, poeta de Dourados-MS)



( crianças batem palmas nos portões )


tem pão velho ?

não, criança tem o pão que o diabo amassou tem sangue de índios nas ruas e quando é noite a lua geme aflita por seus filhos mortos.

tem pão velho ?

não, criança temos comida farta em nossas mesas abençoada de toalhas de linho, talheres temos mulheres servis, geladeiras automóveis, fogão mas não temos pão.

tem pão velho ?

não, criança temos asfalto, água encanada super-mercados, edifícios temos pátria, pinga, prisões armas e ofícios mas não temos pão.

tem pão velho ?

não, criança tem sua fome travestida de trapos nas calçadas que tragam seus pezinhos de anjo faminto e frágil pedindo pão velho pela vida temos luzes sem alma pelas avenidas temos índias suicidas mas não temos pão.

tem pão velho ?

não, criança temos mísseis, satélites computadores, radares temos canhões, navios, usinas nucleares mas não temos pão.

tem pão velho ?

não, criança tem o pão que o diabo amassou tem sangue de índios nas ruas e quando é noite a lua geme aflita por seus filhos mortos.

tem pão velho ?

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