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Poesia - Fevereiro, por Isaac Ramos

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 3 de fev.
  • 1 min de leitura

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Segunda-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor universitário, poeta e escritor de Campo Grande (MS), Isaac Ramos, com "Fevereiro".


FEVEREIRO

(Isaac Ramos)


Celebro o mês mais curto do calendário

É verão, é fruta que cai do pé rapidinha

É pós-festas, é pré-carnaval, é pós-tudo

O dinheiro já acabou. E fica a cara de otário.


Nas tuas brancas taças de verão

Já provei whisky, cervejas e vinhos

Nas tuas retinas fevereiras, o mormaço

O compasso de corpos, que olham os vizinhos.


Teus lábios de aquário parecem melhores

Mas muitos molham de olhares

Às vezes, em versos, alhures

A elevar-se em altares ou afogar-se em mares.


Pegar um carro, navio, ônibus ou avião

Acender o pavio até o décimo segundo mês

Que o tempo no cio dos meses que virão

É farol que vigia, nem um pouco cortês.


Aos primeiros acordes de sorrisos

Nem o ano letivo começou

Planos e dívidas são sinfonias do acaso

O mercado que guia a quem, tristemente, tropeçou.


Março, abril e maio tocarão lira, violino e/ou trombone

Tudo isso entre tapas, beijos e abraços até que junho venha

O teorema do prazer não tem bula, nem interfone

Mas julho, agosto e setembro, não há mal que lhe convenha.


E chegam outubro, novembro, sem moderação

A cada espasmo desses meses, a gula por dezembro só aumenta

A cada procura de oferendas, os olhos claros da encantação

Enfim, amar é (im)preciso. Viver a gente tenta.

 
 
 

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