Poesia - Feira, por Paulo Portuga


Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, poeta, compositor, músico de Dourados (MS), Paulo Portuga, com "Feira".
FEIRA
As feiras ainda sobrevivem,
apesar da padronização do consumo.
Elas resistem, preservam a arte e a cultura,
espalham-se pelos bairros da cidade.
As feiras de artesanato,
que mantêm a tradição de séculos de aprendizado,
passado de geração para geração,
com suas obras individualizadas, feitas à mão.
As feiras sobrevivem.
E me encantam as feiras literárias,
onde os livros saem das caixas,
dos armários e das estantes,
das mentes dos escritores
e passeiam pelos olhos dos leitores.
Dão asas à imaginação,
repousam abertos no colo da criança
e vão dormir na cabeceira da cama,
junto ao abajur.
As feiras de ciências nas escolas,
onde se aprende através de experiências
que nos surpreendem pelos resultados
e esclarecem o que parece mágico,
misturando substâncias num tubo de ensaio.
As feiras são resistência
de um mundo cada vez mais plastificado,
de um consumismo padronizado,
produzindo desertos alimentares,
empobrecendo a criação.
A feira é livre!
Não se prende a imaginação.
Paulo Portuga, 17/08/2026.





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