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Poesia - Fantasia de poesia, por Isaac Ramos

  • Foto do escritor: Alex Fraga
    Alex Fraga
  • 20 de fev. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 13 de abr. de 2025

Segunda-feira de carnaval é dia de poesia no Blog do Alex Fraga com o professor universitário, poeta e escritor de Alto Araguaia (MT), Isaac Ramos com o poema "Fantasia de poesia".


FANTASIA DE POESIA

(Isaac Ramos)


Se comeres ou beberes poesia O poema brota em folia Gosto de ouvir o silêncio dos olhos Gosto do batuque suave dos cílios Gosto do compasso das palavras E da solidão erótica das sílabas Que trespassam como serpentina No imaginário bloco de estrofes.


Há verdades nuas e sentidas Em toda a fantasia de um poeta Há veredas totalmente sem guarida Como o dedilhar da lira da tua pele Há um alterar de suspiros Quando passa a comissão de frente Há um aumento do batimento

cardíaco Diante do balanço e rebolar dos

versos Há uma imensidão de samba, suor

e cerveja Nos corpos que festejam Deonísio em

lampejos.


Há um aumento no consumo Do banho de lua e da saliva

umedecida Quase nuas mulatas, loiras e

morenas São erguidas nos carros alegóricos

do poema Vorazes acenam e jogam beijos Com o intuito de provocar paixões

meteóricas Mas, na verdade, enleios à parte Gozam apenas momentos de

Vênus.


No chão da avenida, passistas

requebram Em busca dos olhos jurados do

etéreo Afinal é Carnaval É tempo de pular, soltar o verbo E dar outros sinais que satisfaçam a

libido poética.


Poesia, melhor tirar tua fantasia Não sem antes curtir a alegoria Do gosto de vinho que trago na

boca Quero que tires tua roupa e se vista

com meu poema Meu poema quer preencher todas

suas nuances Saciar o apetite voraz de folia E com desejo no pé percorrer tuas

avenidas.


Quero sentir o tamborilar dos teus

dedos E me embeber em teus ritmos Suspiros naturais de sons nasais Quero marcar algumas consoantes Mas que a sonoridade continue

frugal Poesia, corpo suado em imensidões Faça de mim teu leitor pierrô.

E no compasso de espera do teu

espasmo Alimento a fome do poema Para que não falte a cerveja Para que tenha, ao menos, um

cálice de vinho E de sobremesa, poesia Por favor, sirva-me um petit gateau.



 
 
 

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