Poesia - Exéquias, por Marcos Coelho


Domingo no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o poeta e escritor de Dourados (MS), Marcos Coelho, com Exéquias.
Exéquias...
Marcos Coelho
Soluços de um choro sofrido...
Doído de uma dor dilacerante...
Silêncio irritante...
Não ouço mais a tua voz...
Não ouço mais a tua respiração...
Não ouço mais as batidas do teu coração...
Não importa se era homem feito...
Não importa se era apenas um menino...
Não importa, não importa...
A dor da separação...
Não importa se era um filho ou um irmão...
Dói, dói, dói, demais...
São soluços e muitos ais...
Partiu do porto, se despediu do cais...
Está no mar das almas...
Em culturas outras, estará no rio das almas...
Na barca triste da passagem...
O velho e estranho barqueiro...
Ele nada sente...
Não é somente a despedida que desespera...
São os projetos abandonados...
São palavras que não foram pronunciadas...
Abraços e toques que não mais se repetirão...
Assuntos não conclusos...
Conversações obtusas...
Parlatórios confusos...
Palavrórios desconexos da vida...
Tudo se encerra ali...
Diante da sepultura aberta...
Sepultam-se todas as intenções, objeções, talentos...
Abrem-se feridas e revelam-se cicatrizes...
Como no caminhar em suas veias, surgem varizes...
E o tempo se rói com inveja do amor concluso...
Aquele amor construído ao longo dos anos...
Amor de casais, fraternais, imortais...
Amor dói, perdoa, supera, transcende...
Amor evolui a cada amor...
Amor se renova, inova, multiplica, muda...
E o poeta o deslumbra em prosa e verso...
A cada minuto que sua beleza muda e sua nudez aparece...
Amor é poesia, na loucura é ódio,
Amor é ópio, é lucidez, é sinceridade, verdade...
Amor é vida, arte, parte que se completa...
Amor é vida esteta...
Amor é olhar, ternura, palavra.
Amor é tudo,
Amor é nada... AMOR É INFINITO...

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