Poesia - Escrever, por Paulo Portuga
- Alex Fraga

- 1 de jul.
- 1 min de leitura

Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, músico, compositor e poeta, Paulo Portuga, de Dourados (MS), com "Escrever",
ESCREVER
Escrever é uma arte.
E toda arte
demora o tempo necessário
para encontrar sua forma.
Às vezes a palavra não vem,
a frase se esconde,
a página permanece vazia
um branco que angustia.
Nem sempre se tem uma boa ideia,
ela fica esperando
o sinal se abrir
na esquina do pensamento.
Muitas vezes encontro apenas o silêncio,
e o silêncio,
para quem escreve,
é um deserto difícil de atravessar.
Há sentimentos
que moram no fundo da alma,
palavras que sussurramos
somente para nós mesmos,
segredos guardados
atrás de cortinas invisíveis.
Nem tudo pode ser revelado.
Então o escritor permanece
numa espécie de limbo,
entre o que deseja dizer
e aquilo que ainda não encontrou voz.
E, no entanto,
o mundo não para.
Todos os dias
novos fatos batem à porta,
novas dores atravessam as ruas,
novas alegrias florescem
nas avenidas da existência.
Escrever não é obrigação.
É ofício.
Trabalho contínuo
de uma mente inquieta
que observa a metamorfose da lagarta,
que acompanha a água
escorrendo pela cascata,
que se espanta diante das mudanças do tempo.
É o olhar
de quem não se conforma
com a desordem do mundo,
de quem sofre pelos amores perdidos, d
e quem se encanta com a arte,
de quem estende a mão ao amigo,
de quem defende os oprimidos,
de quem encontra beleza
nos bichos, nas árvores,
nas pequenas coisas.
Há tanto para dizer.
Tanto para compreender.
Tanto para desmentir.
E enquanto houver mundo,
haverá palavras
procurando um lugar
onde possam nascer.
Paulo Portuga, 25/06/2026.





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