Poesia - Envelope, por Paulo Portuga
- Alex Fraga

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Quarta-feira no Blog do Alex Fraga é dia de poesia com o professor, poeta, músico e compositor de Dourados (MS), Paulo Portuga, com "Envelope".
ENVELOPE
Neste envelope guardo um bilhete
Que eu escrevi pensando em você.
Não diz lá muita coisa,
Só o que eu queria dizer.
São coisas que penso,
Sobre mim e você.
Coisas que não cabem
Num envelope qualquer.
Coisas que não se dobram
Como um pedaço de papel.
Coisas que só cabem aqui dentro,
Dentro do meu universo paralelo.
Neste envelope
Tem um pouco de dinheiro
Que juntei trabalhando duro,
Para viajar e te encontrar
Poder dizer tudo aquilo que ensaiei,
Te contar o quanto eu penei.
Depois, nos teus braços, quem sabe,
Derreter a geleira que me tornei.
Neste envelope guardo documentos
Para eu me identificar,
Que provam quem sou:
Fotografia, CPF e RG,
Tudo que a vida anotou.
Um monte de papéis sem alma
Que falam de minha existência
Mas, não sobre o que sinto.
Nada dizem do silêncio
Que eu guardo por dentro.
No envelope
Carimbo, selo, CEP, endereço,
Remetente, destino e as coisas
Que às vezes esqueço.
Passo a língua na cola do envelope,
Fecho-o com muito zelo,
Para que seja aberto
Sem prejuízo ao conteúdo.
Fiz o envelope com papel pardo,
Muito simples, feito à mão,
Para chegar ao endereçado
Com todo amor no coração.
Ele passa por debaixo da porta,
Caso não estejas em casa,
Não vai perder a viagem
E se perder neste mundão.
Paulo Portuga, 13/02/2026.





Incrível...viajo em seus versos e visualizo suas palavras! 👏🏼👏🏼👏🏼
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